agosto 15, 2009

"A característica inicial do processo de luto acontece pelas relembranças da perda aliada ao sentimento de tristeza e choro, sendo que a pessoa se consola logo após. Este é um processo que evolui, onde as relembranças são intercaladas com cenas agradáveis e desagradáveis, sem, necessariamente, ser acompanhadas de tristeza e choro. Além destes sentimentos, é comum o choque, a raiva, a hostilidade, a solidão, a agitação, a ansiedade, a fadiga. Sensações físicas como vazio no estômago e aperto no peito podem ocorrer.

A duração deste processo é inconstante e seguido de uma notável falta de interesse pelo mundo exterior. Com o passar do tempo, o choro e a tristeza vão diminuindo e a pessoa vai se reorganizando, porém é um processo a longo prazo e os episódios de recaída são comuns.

É importante salientar que a dor da perda não pode ser avaliada, cada pessoa deve ser entendida em sua necessidade, com suas características e reações peculiares".

agosto 12, 2009

perder.

verbo que, alguma hora, a gente tem que aprender a conjugar.

eu perdi.
nós/nos perdemos.

agosto 05, 2009

é a pior sensação que alguém pode ter: é como naqueles filmes, em que as paredes vão se movendo, apertando, sufocando. a vista escurece, o coração dispara, o foco some. e aí começa uma procura louca, em todos os cantos, nas coisas que qualquer um já escreveu, nas histórias semelhantes que os amigos contam. e aí começa isso de querer fugir, de querer correr para qualquer canto, como se isso fosse solucionar o problema que na verdade não existe.

julho 18, 2009

é sábado, e eu acordei tarde porque esperei toda a semana por isso. fiquei frustrado porque foi tarde demais, tive que mudar meus planos. escolhi uma nova rota, peguei os filmes antigos e fui levar para revelar. no caminho, parei no museu e sentei no mesmo banco que sentamos no dia que nos conhecemos. foi impossível não reviver. segui meu caminho até a loja de fotografia, esperei os filmes revelarem vendo tv, peguei um ônibus, fui na locadora, passei para comer uma bobagem porque, afinal, hoje é sábado. enquanto comia, o dia desceu, o sol foi embora e esfriou um pouco. vim com pensamentos previsíveis para casa e comecei a ver as fotos: memórias de uma manhã de domingo, sob o sol de inverno.

junho 03, 2008

abre aspas

Estava começando a me acostumar. Subi as escadas, entrei em casa e fui escovar os dentes planejando não trabalhar no dia seguinte, nem no outro, nem no outro. Talvez fosse a hora de me mandar de novo. Ainda não sabia pra onde, nunca tinha passado para esta fase do joguinho. Talvez não precisasse me mandar para lugar algum. Talvez fosse a hora de encarar meu caminho, queimar na cruz que escolhi, assumir o grande amor da minha vida: escrever. Sabia que era a hora, e não sou dessas que ficam esperando sentadas. Apaguei todas as luzes, deitei e fui dormir.


_ clarah averbuck, em máquina de pinball

março 25, 2008

eu escrevo quando não tem mais jeito.

março 21, 2008

a vida não é essa contagem regressiva. faltam três meses, seis, um ano. já passaram outros seis. aqui, agora, sentado: eu não sei. e posso tentar explicar e explicar. mas a verdade é essa: posso ficar aqui pensando o quanto de palavras eu posso falar até que o inexplicável esteja ainda assim - confuso.
o que é meu, no meio disso tudo, estou tentando recolher. não deixar pedaços meus por todos os lados. mas é como estar andando na cidade e você acha que conhece tudo, você conhece os caminhos, mas entra numa rua e de repente está perdido.